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A Carne


Certa vez escrevi aqui a respeito do milho. Ele está em 40% de tudo que comemos através de conservantes, xaropes, gomas e demais processados sintéticos. Além, claro, dos derivados de produtos a base de milho, como salgadinhos, farinha, tacos, etc.

E os outros 60% do milho, vai pra onde? Para a carne que você come, meu amigo.

Não sei se vocês notaram, mas hoje é mais fácil adquirir um bom pedaço de carne do que antigamente. Hoje nem existe mais aquela história de carne de primeira e carne de segunda. A carne está mais barata. E está mais acessível também. Como tudo isso é possível em um século de maior aumento demográfico da história? A resposta são os confinamentos de gado e alteração da dieta herbívora do bicho.

Enclausurar bovinos em espaços reduzidos, alterando sua alimentação a base de campim, para um composto de milho com hormônios, foi o que alertou uma gama de especialistas ambientais para os desastres que este tipo de pecuária acarreta. Além de problemas de saúde do animal, já que seu rúmen não está adaptado para ingerir milho, bem como não se locomover, já que o espaço é restrito.

Alteramos o processo da seleção natural drasticamente: sol-capim-carne para petróleo-hormônio-carne. Tudo isso porque o milho é uma fonte de proteínas mais barata que o capim. Como tempo é dinheiro e proteína é “proteína”, por que não acelerar esta maquina bovina de produção de carne, com outra fonte de proteína?

Carne Marmorizada - típica de gado criado em confinamento

Esta “urbanização” do gado para suprir carne, traz consequências de saúde para o gado, assim como grandes metrópoles também os tem para sua população. E, assim como tal, trata-se estas doenças com muito remédio. Antibióticos, hormônios, anti-ácidos, gordura liquefeita, melaço de uréia (fórmula sintética) e diversos outras drogas são inseridas na alimentação bovina afim de mantê-lo “sadio” até o ponto de abate. São 17 litros de ração / dia / gado.

O resultado é uma carne extremamente gordurosa e “saborosa”, nos padrões atuais, que o mercado autodenomina “carne marmorizada”.

Da mesma maneira que os ruminantes não parecem estar plenamente adaptados à alimentação a base de milho, os seres humanos, por sua vez, podem estar mal adaptados para se alimentar dos ruminantes que comem milho com hormônio.

Esta premissa de que proteína é proteína foi o que levou, na década de 1990, o governo proibir a alimentação bovina com substâncias de animais. No caso, os bois estavam comendo eles mesmos. Houve um surto e os escândalos podem ser facilmente pesquisados em qualquer site de busca por aí. Era a fase da Vaca Louca.

Por meio da seleção natural, desenvolvemos uma série de regras higiênicas. Não toleramos nossas próprias fezes, não temos tato para mexer com carcaças de nosso semelhantes. Com os bovinos é a mesma coisa.

Recentemente tive a oportunidade de implantar um sistema de gestão integrado em uma indústria de carne (confinamento). Um dos aspectos mais pertubadores nas fazendas industriais é a arrogância com que são ignoradas essas regras da evolução. O que força os animais a superar aversões profundamente enraizadas neles. Fazemos com que eles troquem seus instintos por antibióticos.

Apesar do governo proibir o uso de proteínas de animais ruminantes na alimentação do gado, tenho minhas dúvidas se proteína de não-ruminantes estão sendo utilizadas, como carne de frango, peixe, porco, por exemplo. Não sei. Não pesquisei. Mas sei que nos Estados Unidos você pode utilizar sim.

Um dos tipos de ração para gado de confinamento

A ruminação do boi para este tipo de alimento produz grandes inchaços no mesmo. Em condições normais isso sairia via arroto, mas com alto teor de amido e baixa quantidade de fibra na alimentação, a camada espumante do rúmen retém o gás. Daí eles enfiam um tubo no bicho para eliminar todo este gás. Do contrário, o bicho morre asfixiado.

Além desse processo bizarro, há também o fato da azia. Os bovinos também tomam remédios para não ter uma úlcera. E assim, como os cachorros que sentem dor na barriga, os bovinos começam a salivar demais e vão atrás de capim. Como não tem, eles acabam comendo terra e suas próprias fezes. Já próximo do abate, este bois e vacas estão em quase loucura com a grande discrepância e desrespeito às condições naturais de sua espécime.

Sua carne está infectada e eles sabem disso. Mas no final das contas, somos nós que iremos comer carne com bosta, pois além deles comerem a própria merda por uma questão de desespero, eles são rapidamente destrinchados nos matadouros, o que não permite a devida assepsia do animal.

Ah… Pra finalizar, é bom lembrar que a ração de gado de confinamento, leva, como matéria-prima principal, o petróleo. Cerca de 1/5 do petróleo consumido vai para a produção e transporte da ração destes bichos.

Ou seja, como a média de consumo é 11kg / dia de ração  e são abatidos com, aproximadamente, 540kg, ele terá consumido 132 litros de petróleo. Quase um barril (200 litros).

Em suma, é bom saber a procedência da sua carne, do contrário estará ingerindo merda com petróleo.

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3 comentários em “A Carne

  1. É que o revisor dos textos saiu pra tomar umas nesse dia. Mas já dei uma bronca nele… eheheheh. Valew pelo toque!

  2. O que xapores? (início do texto).

  3. Detalhe, o boi que pasta o campim também tem contato com o petróleo. Os grandes produtores adubam suas pastagens com fertilizantes. Existe uma urgência em formar os pastos e a adubação ajuda na produtividade. Não sei… até que ponto é radical aquele que para de comer a danada da carne, rs

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