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A Evolução da Gastronomia


Depois do período de grandes banquetes, já postado aqui, chegamos ao segundo milênio antes de Jesus. É nesse período que praticamente nasce o que conhecemos hoje como buffet. Pois estamos num período onde contratos de banquetes são assinados para satisfazer a aristocracia em seus casamentos, vitórias em combate pelos militares, a chegada de uma embaixada à corte.

O teatro também fazia parte do contrato. O rei sentava-se, à parte, num divã, ao lado da rainha. Os ocupantes dos principais cargos da monarquia se sentavam em grupo ao redor do rei, segundo cada status. Os convidados lavavam as mãos com óleo perfumado com cedro, gengibre e murta, na entrada e na saída.

Carnes cozidas e grelhadas eram servidas em fatias de pão como entrada. Eram seguindas por um pré-sobremesa de frutas e tortas adoçadas com mel. Havia música, canto, malabares, palhaços, lutadores, atores. Era uma festa!

Essas festanças eram comuns. Duravam mais de sete dias e tinham mais de 50 mil convidados. Era uma festa para deixar qualquer promotor de rave de boca aberta. Este tipo de festividade, para a época, demonstrava o poderio político de cada pólis.

Como os gregos dominavam o cultivo da agricultura, bem como os mares, a culinária da Grécia Antiga era inigualável. Rica em pescados, os gregos valorizavam os animais de carne vermelha para usufruir do leite, da lã e do trabalho nos campos. Logo, era raro grandes cerimoniais com grandes quantidades de carnes vermelhas, como acontecia em Roma. Normalmente utilizavam os animais crucificados nos rituais religiosos. Com este alto domínio da agricultura surgiram também vegetais que naquela época não eram vistos em outras nações. Aipo, aspargo, agrião, beterraba, repolho, alcaparra. Coisas exóticas de então. Sem contar os frutos: peras, melões, cerejas, figos e vários outros.

E, como dominavam os mares, importavam condimentos da China, Índia e países árabes. Definitivamente era uma culinária rica e saudável.

Vaso em Cerâmica - Colheita na Grécia Antiga

A arte da culinária torna-se mais acentuada com os gregos. Foram eles que começaram a trabalhar melhor o sal, o mel, as especiarias e ervas nos caldeirões dos cozidos da época.

Neste período é que surge a importância dos escanções (pessoas que abriam e serviam os vinhos, além de se preocuparem com harmonização dos mesmos com o alimento).

Inicia-se, neste período, o papel do cozinheiro que vai em busca de novos sabores, da alquimia dos temperos. Inicia-se também uma maior preocupação em documentar as descobertas culinárias. Surge um vasto número de livros com receitas, dicas, higiene, dieta e toda uma literatura em torno da culinária.

Foram os gregos que associaram a comida à saúde. Dieta e exercícios, juntamente com uma boa alimentação, eram uma preocupação da época, como meio de prevenir doenças.

Eles se preocupavam com o tipo de comida para cada época do ano. Tempo frio, comida mais pesada. Tempo quente, comida mais leve. Às pessoas mais velhas não eram recomendados determinados tipos de alimentos. E assim sucessivamente. Não era de surpreender que a média de vida dos gregos era bem maior que a de demais nações (quando não mortos em combate).

Os gregos levavam tão a sério a culinária, que criaram espaços para se reunirem e deliciar-se nas refeições. Fazia-se um sacrifício com o sangue do animal, que logo em seguida era comido, acompanhado de vinho. Infelizmente esse tipo de lugar poderia ser freqüentado apenas por homens. Mulheres, crianças e escravos não tinham vez.

Os locais eram conhecidos como symposion. Eram um ambiente de festividade, comida e bebida, em que se proibia orgias. O vinho ficava centrado na mesa e era considerado algo divino. Misturava-se água ao vinho antes de consumi-lo, pois, segundo os gregos, essa atitude era mais uma das várias que diferenciavam o homem civilizado do bárbaro. Era um universo masculino cheio de ritos e regras. Também não é de espantar que Alcibíades tentou seduzir Sócrates durante um evento desses. Era algo comum e praticável na época.

Mesmo com toda a preocupação em se manter como homem civilizado, acontecia, vez ou outra, a incursão dos akletois. Pessoas famintas eram jogadas nos symposium, para serem vistas degladiando em cima das sobras das refeições. O intuito, na mente dos “civilizados”, era demonstrar a inferioridade do “resto”.

Symposium Grego

O symposium sempre precedia algum acontecimento – jogos públicos, um festival comemorativo, boas vindas etc. – com muita música, dança, brincadeiras. Era uma expressão ritualizada do microuniverso grego.

Esse legado grego difere do romano, citado no post Banquete – um convivium à sátira, justamente por tornar a culinária algo mais sério, mais saudável, mais contextualizado. Inicia-se a gastronomia como ciência ou arte.

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Um comentário em “A Evolução da Gastronomia

  1. Uau, uma riqueza de informações culturais. Mas continuo sendo fã de um restinho de comida bem feita do almoço para o jantar ou vice-versa. J’aime un requenté avec vin rouge!

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